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Intervenção sobre o empréstimo para fornecedores

Verificamos na discussão das GOPs e do Orçamento para 2009 que a evolução da dívida a curto prazo nas contas camarárias dos últimos anos teve um crescimento acentuadíssimo. Passou de cerca de 8 milhões e 400 mil euros em 2004, para cerca de 19 milhões em 2007. O que é muito preocupante.

As dívidas aos fornecedores estão incluídas nesta área e o seu valor também tem crescido muito.

Diz a Câmara que, em valores provisórios, a actual dívida a curto prazo é de cerca de 16 milhões, portanto um pouco mais baixa do que em 2007. Mas que garantia temos de que é mesmo assim? Nada nos documentos apresentados nos mostra isso.

E que garantias temos de que o empréstimo que a Câmara pretende contrair é mesmo empregue no pagamento dos fornecedores, ou, principalmente, que garantias temos de que no balanço do próximo ano os 19 milhões de 2007, ou os 16 milhões agora indicados como a dívida a curto prazo em 2008, vão, de facto, baixar substancialmente na proporção do empréstimo que se pretende contrair? Dado que o empréstimo solicitado é de 6 milhões de euros, vai essa dívida baixar para valores na ordem dos 10 milhões, ou, no máximo, dos 13 milhões de euros? 

Nos documentos nada nos garante isso. Julgo que, de certeza, só o balanço de 2009 nos vai mostrar como será. Ou antes, no fim do ano vai mostrar apenas e irremediavelmente – como foi!

As dificuldades existentes, a necessidade de se amortizarem cada vez maiores valores no serviço da dívida e o ano eleitoral em que entramos, deixam grandes dúvidas sobre qual será a dívida a curto prazo no fim de 2009 e nos anos seguintes.

Ainda assim, apesar desta incerteza, julgo que é importante ter em conta a situação aflitiva de tantos credores da Câmara e a necessidade de baixar com urgência os valores das dívidas que a autarquia tem para com eles, sobretudo para com aqueles que mais dificilmente suportam, neste tempo de grande crise, a ausência desses pagamentos.

 

12/01/09

O representante do BE na AM de Faro