Os trabalhadores da empresa Águas do Algarve estiveram esta quarta-feira em greve.
Uma delegação de cerca de 40 trabalhadores marcou presença na manhã do dia 22 de Junho de 2022 em frente à
sede, em Faro, manifestando o seu protesto pela situação actual e exigindo o reinício
de negociações com o sindicato.
Enquanto permanece a incerteza sobre aumentos do tarifário neste ano, penalizando
ainda mais os consumidores, os trabalhadores do Grupo Águas de Portugal
permanecem com os salários e as carreiras quase estagnados. No entanto, só entre
2018 e 2021, a empresa obteve lucros de mais de 415 milhões de euros.
Os trabalhadores da Águas do Algarve reivindicam aumentos salariais,
desenvolvimento das carreiras, atribuição do subsídio de penosidade, insalubridade e
risco, transparência e informação prévia nas escalas e nos horários, fim nas
desigualdades arbitrárias de salários e direitos entre trabalhadores com as mesmas
funções, admissão de mais trabalhadores, etc.
Na concentração foram dados exemplos dessas situações, nomeadamente de
trabalhadores há quinze e mais anos sem aumentos, nem progressão, bem como das
carências de pessoal.
Para garantir os seus lucros a Administração do Grupo não “pode” dar atenção às
necessidades dos seus “colaboradores”. Na negociação do ACT as suas propostas
foram mínimas, desprezando a perda de poder de compra dos trabalhadores, ano após
ano. Perante as propostas e exigências do sindicato, chegou ao cúmulo de, na última
reunião, retirar as propostas apresentadas, pondo as negociações num impasse.
Tudo isto levou os trabalhadores do Algarve a fazerem esta greve e a concentração.
Nela, os dirigentes sindicais resumiram o posicionamento da Administração e as
reivindicações laborais, tendo sido aprovada unanimemente pelos trabalhadores uma
resolução que foi entregue à Administração, numa reunião realizada de seguida, por
esta com o Sindicato.
Após a reunião, a delegação sindical informou os trabalhadores de que, ao contrário
de anteriormente, os elementos da Administração da Águas do Algarve se
manifestaram mais abertos às pretensões dos trabalhadores, chegando até a afirmar a
sua concordância com algumas delas. O que levou a risos e exclamações de ironia, por
só agora, com a greve e o protesto, chegarem a essa conclusão.
Para a continuação das negociações, o Sindicato irá marcar nova reunião com a
Administração, esperando-se que esta possa ceder mais às reivindicações
apresentadas.
Caso contrário, tanto o sindicato como os trabalhadores presentes afirmaram a
intenção de continuar as acções de luta. Que passarão, desde já, pela participação na
greve nacional do sector, no próximo dia 30, e pela manifestação nacional da CGTP
convocada para dia 7 de Julho.
Na concentração, estiveram presentes representantes do Bloco de Esquerda do
Algarve e do PCP, expressando aos trabalhadores e ao sindicato a sua solidariedade e
apoio à luta e às reivindicações apresentadas.
Faro, 22/06/22
VR