Não tem qualquer cabimento no contexto da gestão camarária o investimento de dinheiro público para salvar um desastroso investimento privado. Todos os cêntimos municipais são poucos para projectos possíveis de investimento na economia local - agricultura na Campina, pescas e viveiros da Ria, reabilitação urbana.
Como é tradição e, reconheçamos, inevitável, sobrarão, para lá de dia 29, pontas soltas das intenções, projectos e propostas das candidaturas autárquicas. Muito foi dito sem sentido, muito mais se revelará sem sentido nos próximos tempos.
O que foi dito pela candidatura do PS acerca das Galerias St. António é inevitavelmente inquietante. José Apolinário, no debate promovido pela Confraria dos Cavalheiros da Tábula Quadrada, declarou que a reabilitação da Baixa - Rua de St. António - será impensável sem a activação daquele espaço comercial. É uma opinião, diríamos, um palpite, sem qualquer fundamento. A abertura de mais uma loja ou de mais uma coleção de lojas e serviços, quando se promove mais do mesmo em outros pólos da cidade - Mercado, Fórum -, não alterará o triste panorama da Baixa.
A questão central é associar a recuperação das várias zonas da cidade à reabilitação urbana - é possível a mobilização de fundos nacionais e regionais. Investir na economia local, criar trabalho com direitos - deslocar para as áreas centrais da cidade pessoas, novos residentes, atraídos por um programa de rendas moderadas e baixas. Da articulação dos dois projectos deverá resultar a reanimação da Baixa com os serviços e comércios adequados às zonas residenciais. Estes poderão ser da iniciativa local - é o espaço do pequeno comércio e serviços. Replicar na Baixa o modelo de comércio proporcionado pelo Fórum não favorece o comércio local, agrava os maus hábitos de consumo, acentua a descaracterização local.
Mas, de regresso às Galerias, convém relembrar: são um projecto privado, resultado de uma avaliação desastrada; são um projecto que inviabilizou a instalação do teatro municipal na Rua de St. António, devido a uma desmesurada exigência financeira. Não tem qualquer cabimento no contexto da gestão camarária o investimento de dinheiro público para salvar um desastroso investimento privado. Todos os cêntimos municipais são poucos para projectos possíveis de investimento na economia local - agricultura na Campina, pescas e viveiros da Ria, reabilitação urbana.
Os eleitos autárquicos do BE e os munícipes manter-se-ão atentos à questão e às propostas que surgirão, que, aliás, nunca foram esclarecidas na campanha.