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A Bem da Nação

– Nem calcula a vontade que tenho de comentar isso. Mas tenho de conter a minha impaciência (…). Quando chegar a Lisboa, terei muitas ocasiões de falar da oposição, de falar disso e de falar da avaliação dos professores!

Só o facto de estar além-mar levava José Sócrates a reprimir a enorme vontade de responder, forte e feio, à pergunta da jornalista sobre da questão do aumento do IVA, que já está na forja de Pedro Passos Coelho.

Pertinente, a zanga do nosso PM com o PSD, em jeito de crítica a quem reclama “esfola” por parte de quem sempre tem dito “mata”.

Quanto ao chumbo deste processo de avaliação dos professores, esse tinha de ficar atravessado na garganta do nosso PM. Percebe-se, a dita avaliação era a menina dos olhos da chamada reforma da Educação (leia-se “maneira de legalizar o assalto ao bolso dos professores como forma de ajudar à superação da crise financeira de alguns cofres, escondidos atrás dos cofres do Estado”).

Também aqui, muita razão na crítica a parte da oposição – a parte representada pelo PSD. Na verdade, o PSD já tinha tido antes a oportunidade de chumbar o dito processo de avaliação e só agora o fez… Bom, costuma dizer-se “mais vale tarde do que nunca!” Os professores suspiraram de alívio e viram agora contemplada uma pequena parte das suas justas reivindicações, como resultado de terem lutado nas escolas… e nas ruas.

Terem lutado e terem visto algum resultado dessa luta. Ainda que muito pouco resultado, isso, sobretudo, é preocupante e o arguto deputado Pacheco Pereira não demorou a detetá-lo e a alertar para o perigo de os sindicatos e, provavelmente, os professores “passarem a mandar nas escolas”!

Os deputados do PS, com o habitual “sentido de responsabilidade na perseveração do interesse nacional”, votaram contra. Destoando do próprio partido, também o avisado Pacheco teve a coragem de votar contra, como é natural, igualmente “a bem da Nação”.

A confirmar o desacerto da aprovação parlamentar, a ministra Alçada informa, caso os professores não saibam, que, afinal, nas escolas tudo está a correr bem. Só lhe faltou dizer mas certamente não duvida de que as escolas estão a cumprir os objetivos a que se propõem, que nas escolas os professores não estão atafulhados em papéis, num verdadeiro hino à burocracia, que nas escolas reina a disciplina e aos professores são proporcionadas todas as condições para ensinar os alunos e que estes, naturalmente, se esforçam avidamente por aprender. E, convenhamos – muito brechtianamente –, quem mais sabe de educação é muito naturalmente a ministra... Esta apressou-se a transformar num conto de fadas o inferno em que, para a maioria dos professores, estão transformadas as escolas. Na esteira, aliás, da narrativa daquela execranda equipa de Milús, Valteres Lemos e quejandos. Por uns momentos, só por uns momentos se se deixarem adormecer com cantigas, os professores vão poder suspirar de alívio, uff!