Vivemos tempos perigosos em muitas dimensões da nossa vida coletiva. Sendo um cidadão atento à realidade económica, social, cultural, ambiental e política que me rodeia, estou bem ciente dos riscos que enfrentamos. E também sei que as eleições de 10 de março serão especialmente importantes para a definição da qualidade das respostas que lhes daremos, ou seja, para as escolhas que orientarão as futuras políticas públicas destinadas a resolver os problemas mais graves.
Foi esse o primeiro motivo pelo qual aceitei o convite do Bloco de Esquerda para ser o mandatário da sua candidatura às legislativas pelo Algarve: é nestes momentos ameaçadores que um cidadão independente e de esquerda, como eu, consegue encontrar os melhores motivos para se envolver numa das atividades mais nobres, a política, apoiando desta forma uma candidatura.
A segunda razão também é fácil de explicar: desejo que, a partir de março, exista na Assembleia da República uma maioria capaz de responder aos problemas do país com políticas de esquerda verdadeiramente focadas na necessidade de transformação das realidades sociais, económicas, ambientais e culturais duríssimas que diariamente nos entram pela casa dentro através dos telejornais. Ora, considero que a força relativa do Bloco de Esquerda no Parlamento será decisiva para a definição dessas políticas e, já agora, para os combates que se avizinham contra a extrema-direita.
Na última legislatura, fez muita falta ao Algarve a sua representação parlamentar do Bloco de Esquerda. Todos os estudos de opinião mostram que o Bloco está em condições de recuperar essa representação. Contribuir para esse importante objetivo é o terceiro motivo pelo qual decidi assumir este compromisso, através da lista encabeçada por José Gusmão.
Sigo, há anos, a ação de José Gusmão, sendo testemunha da sua elevada dedicação à causa pública, da paixão informada com que defende as suas convicções políticas, associando essas qualidades de intervenção a uma notória capacidade intelectual – dimensão, para mim, muito relevante nos dias que correm. Este perfil indica nitidamente que o Algarve terá nele um deputado de grande qualidade, permanentemente envolvido nos problemas mais prementes da região e comprometido com a urgência de melhorar as suas realidades económico-sociais especialmente vulneráveis, decorrentes da aposta errada e persistente numa economia demasiado dependente da atividade turística, ela própria geradora de elevados níveis de precariedade e desemprego sazonal.
Para além disso, a presença da independente Guadalupe Simões num lugar destacado da lista sinaliza a abertura do Bloco de Esquerda à sociedade civil e aos ativistas que tanto têm pugnado pelos serviços públicos de qualidade – opção que contribuiu para reforçar a minha decisão.
Em suma, decidi aceitar ser o mandatário da lista do Bloco de Esquerda no Algarve, porque os tão graves problemas existentes na Habitação, na Saúde, na Educação, nas consequências das alterações climáticas, entre muitos outros, me interpelaram, desta vez, a sair do silêncio para o espaço público em que os grandes combates políticos se travam.
ANTÓNIO BRANCO
23 de janeiro de 2024